After Constructivism
Giampiero Arciero, psychiatrist, has been a researcher at the University of Freiburg (Switzerland) and director of the Personal Development Laboratory at the University of California, Santa Barbara. With Vittorio Guidano he founded the Institute of Cognitive Post-Rationalist Psychology and Psychotherapy (IPRA), Rome, of which he is director. He is professor and director of the Postgraduate School of Cognitive Post-Rationalist Psychoptherapy at the University of Siena and consultant at the University of Geneva. He is author of the book Sulle tracce di sé and co-author with Vittorio Guidano and Michael Mahoney of various works on the subject of psychotherapy.
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Giampiero Arciero – After constructivism: new conceptual frame of a post-rationalist psychology.
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ShareNo contexto da Especialização em Psicoterapia teve lugar em Lisboa seminário e workshop em Terapia Pós-racionalista com Giampiero Arciero, da universidade de Siena e Istituto di costtructivismo di Roma (IPRA)
Apresentação
Entre outros, dois modelos de raiz construtivista, humanista, pós-racionalista têm inspirado e influenciado as práticas clínicas desde a década de noventa. O primeiro, o modelo da mudança, de Michael Mahoney, teorizado de uma forma magistral e clara no início dos anos noventa (Mahoney 1991), e que amadureceu nos anos seguintes para o enunciado de princípios orientadores das práticas construtivistas (Mahoney 1995, 2003; Neimeyer & Mahoney 1995). O segundo, a terapia cognitiva pós-racionalista de Vittorio Guidano, com o seu foco nas organizações de significado pessoal (Guidano, 1987, 1991, 1995), e mais tarde, com Giampiero Arciero, no estilo de personalidade com tendência a determinado disturbio (Arciero & Guidano 2000, Arciero 2009), um modelo que abraça a epistemologia construtivista ao encarar o conhecimento como resultante da experiência vivida no seu contexto, e não da racionalidade e da lógica proposicional: rational laws do not organize knowing systems. “Our actions,” noted Hayek (1988), “are governed by rules adjusted to the type of world we live in, that is, to circumstances we are not well aware of, that determine the structure of our successful actions” .
Neste modelo, sentir-se de determinada forma refere-se não só a uma forma de ser como também ao modo como o mundo acontece. Os processos inerentes à dinâmica do Self são auto-referenciais, ou seja, são constitutivos e não representativos, e reflectem mais a organização de significado de onde emergem (produto da participação da pessoa numa matriz histórica-sócial e da diferenciação progressiva da estrutura da sua experiência e identidade narrativa) do que propriamente qualidades intrínsecas e unívocas de uma realidade externa objectiva independente do "ser-no-mundo" (Guidano, 1993). Assim, uma mesma tonalidade emocional (tristeza, raiva, ansiedade, medo) é regulada e experienciada de forma diferente de acordo com a coerência do padrão de significado pessoal daquele que a experimenta (Guidano, 1991). Tal coerência exprime, por um lado, o modo como o indivíduo discrimina e atribui significado à sua experiência imediata e, por outro, como reordena narrativamente o passado e o presente num sentido de continuidade (sameness) que integra a variabilidade e descontinuidade da sua experiência (ipseidade) (Arciero etal, 2004). A identidade narrativa irá, então, elaborar os temas emocionais a que está ancorada e o aspecto essencial do narrar é justamente a relação que se estabelece entre a estruturação do enredo e a sua capacidade de modular o afecto. Quanto maior a eficácia na articulação da experiência de uma forma inteligível (quanto maior a compreensão) mais capaz será a pessoa de modular oscilações emocionais perturbadoras e integrá-las no sentido de si próprio (Self) (Arciero e Guidano, 2000). A mudança terapêutica passaria por orientar o cliente para a reconstrução e compreensão da dinâmica da sua experiência, facilitando o acesso a estados emocionais não articulados e promovendo a sua assimilação numa narrativa revista e expandida, capaz de promover o seu sentido de coerência pessoal.
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